Durante esta semana o promotor de Justiça Marcelo Eli formalizou a denúncia e deverá intimar testemunhas para apurar a veracidade dos fatos divulgados pela imprensa e o envolvimento de servidores e secretários municipais num possível caso de desvio de recursos públicos.
OS FATOS
Na manha da terça-feira, 3 de julho, caminhões da Prefeitura de Ponta Porã foram flagrados carregando cascalho de uma pedreira existente em Pedro Juan Caballero, no Paraguai.
Os caminhões, num total de quatro caçambas, com o logotipo da Prefeitura Municipal de Ponta Porã realizavam o transporte desde o território paraguaio até o lado brasileiro da divisa. A ação chamou a atenção das autoridades paraguaias, já que segundo informações não existe um convenio para realizar tal transporte.
O secretário de Obras e Infraestrutura da Prefeitura de Ponta Porã, engenheiro Luiz Tarley, foi procurado em seu gabinete, naquela ocasião, para esclarecer o caso. Mas, um funcionário que fica na recepção informou que o secretário estaria de licença medica. O assessor de Imprensa da prefeitura também estava de licença médica, no começo de julho.
Por sua vez, proprietário da Pedreira, o engenheiro Hugo Cesar Romeiro, de nacionalidade paraguaia, chegou ao local e informou que realmente realizava a venda do cascalho para a Prefeitura de Ponta Porã e em troca a prefeitura também emprestava as máquinas para realizar benfeitorias na área. Tanto que uma retroescavadeira foi deixada no local por um caminhão de grande porte no momento em que a reportagem realizava o seu trabalho.
Segundo o engenheiro a venda do cascalho era realizada por ele, mas uma empresa brasileira era a encarregada preencher as notas “quentes” para posteriormente receber o produto vendido à prefeitura.
Sobre a celebração de algum convenio para a retirada do cascalho do local, ele disse que não existe já que a prefeitura estaria cedendo maquinário do município em troca de favores e estaria pagando este favor com notas “quentes” fornecidas por uma empresa brasileira.
O presidente da câmara de vereadores, Dario Honório, em conversação telefônica, estranhou o caso, e disse que não tinha conhecimento de que maquinários da prefeitura estavam em território paraguaio e que o município estaria comprando cascalho no vizinho país. Ele prometeu investigar o caso porque a Câmara é uma instituição que está aí para fiscalizar os atos administrativos do prefeito.